what is this game we're playing? ([info]penalty) wrote,
@ 2008-05-21 02:29:00
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FEELING COLORADO



É estranho afirmar esse tipo de coisa (quase engraçado, porque afinal de contas muitas pessoas têm uma imagem completamente diferente de mim, incluindo eu mesmo), mas contrariando todas as expectativas dos que comigo têm intimidade, devo ter um appeal extremamente simpático e confiável. Até mesmo convidativo, eu diria, pois são raros os desconhecidos que, sentados ao meu lado em bancos, ônibus, aviões ou qualquer local de espera que o valha, não puxem assunto e começam ali uma intensa história de amizade que irá durar para sempre em poucos minutos. Com Anita não foi diferente. Ela, americana cristã, uma das inúmeras personagens que atravessaram meu caminho pelos aeroportos da vida, olhou desconfiada e me recebeu com o nariz torcido de quem não gostou do fato de ter que levantar para dar passagem para o retardatário aqui, que ainda demorou um bom tempo até organizar todas as suas coisas no bagageiro e na pequena bolsa daquela poltrona apertada. Mas não demorou muito para que sua cara, que é idêntica a da Kathy Bates (mencionei esse fato e qual foi a minha surpresa ao saber que ela conhecia de cor uma das minhas quotes favoritas de "Fried Green Tomatoes", um de meus filmes prediletos?), deixasse a expressão ranzinza de lado e, como não poderia deixar de ser, caísse de amores por mim. Contou do filho Michael e as coincidências que a cercam em torno desse mesmo nome; de sua vida no Texas e o tratamento que ela recebe em outros Estados, que são tão distintos; do ex-marido alemão e até mesmo do sobrenome que lhe rendeu muitas gargalhadas. Entre uma e outra rasgação de ceda com, nas palavras dela, o interesting young man aqui, ela arrancou uma das páginas do seu livro de passatempo e me deu um de seus quebra-cabeças para, além da recordação, me ocupar nos próximos trajetos. E foi assim que sem nenhuma expectativa, repleto de surpresas positivas, aterrissei no Colorado.





* * *




Downtown.


Primeira parada: Denver, capital e cidade mais populosa do Estado. Para ser sincero, só chegamos pelas bandas de lá à noite, depois de passar um belo frio ao procurar o carro locado dentro de um estacionamento tão ao ar livre quanto infinito, então não deu para ver muito. Só no último dia, depois da roadtrip em si, voltei e perambulei bastante. E isso quer dizer que, sim, fodi com toda a ordem cronológica das fotos. :)





County Building.


A cidade, como diria alguém que não sei quem, não fede e nem cheira. Não há muita originalidade (notar pela foto anterior, que se alguém afirmasse ser o centro de Houston daria na mesma), mas possui todos os atrativos de uma cidade grande (lê-se bons museus, teatros, nightlife and all things junkie). No entanto o que mais me impressionou, logo na primeira noite de pubs e margaritas, foi a quantidade de adolescentes se alastrando pelas ruas do lugar. Não me leve a mal, adoro carne fresca, mas ter a impressão de estar dentro de um clipe da Panic! at the Disco são outros quinhentos! E por aí foi.





The People and the Grass.


Sorte a minha que há o gramadinho. Esse, aliás, rendeu muitas histórias. Papo vai, papo vem; um namorico aqui, outro acolá. Até no meio de um protesto a favor da (re)legalização da maconha, que estava acontecendo ali ao alcance das narinas, eu entrei. Tudo de muito bom gosto, sabe? Com exceção desta senhora bizarra e do senso estético dos puliça, talvez. Mas brincadeiras a parte, organização e senso de democracia impecáveis. E a fumaça subindo...





Pussy Power.


Depois de um tempo desisti de tudo e tentei me esconder do Sol forte que estava fazendo sentando à sombra de uma árvore, curtindo de longe, mas super integrado com o movimento e toda a vibe Woodstock (haha) - o que particularmente não adiantou nada tendo em vista que saí de lá uma Valéria Valenssa desbundada. Foi então que conhecemos (sim, estava acompanhado e por isso fico punhetando singular e plural nessa orgia de muitos sujeitos) um casal pitoresco de lésbicas (ou par de jarros, se preferir), que ostentavam orgulhosas dois cachorros inicialmente idiotas - you know, i'm a cat person. Uma delas, a da esquerda na foto, era extremamente falante. Parecia uma caminhoneira highonecstasy. Sabe a típica americana canastrona que solta pérolas do tipo "Nobody cares about you, so you better sit down! Sit down 'cause you are old. And black!", referindo-se ao fato de que a pobre cachorrinha preta estava quietinha em seu canto enquanto seu companheiro tentava desesperadamente pular em cima do mundo? A própria. Risadas, ao contrário da vergonha na cara, não faltaram. E o cachorro, cretino como eu esperava que ele fosse, veio babar em meu ombro.





Mais do Mesmo de Sempre.


Patatipatatá. E entre outras coisas (afinal de contas isso aqui não é diário de viagem na íntegra), perdemos a hora e saímos dali correndo para correr ainda mais pelos corredores do aeroporto, para não perder o costume. :P











* * *





ROADTRIP! Porque se o ponto alto do Estado são suas montanhas, é para lá que eu quero ir.







Quer dizer, chegar nas famosas montanhas, sim, mas como sempre fui mais chegado na definição do Chesterton para viajante ("The traveler sees what he sees; the tourist sees what he has come to see."), com muitas paradas.







Uma delas em Idaho Springs. Cidade pequena fundada em 1859, de casinhas tão bonitinhas quanto ilhadas na imensidão de montanhas por todos os lados, esbanjando histórias da época onde ouro era tudo - e todos. Parece que o mundo parou ali. A antiga mina, que continua funcionando, e a locomotiva não me deixam mentir. Além disso, um Sol escaldante e como não poderia deixar de ser, alguns nativos desconfiadíssimos de meus olhos curiosos, listras e câmera. :)







E falando em Idaho Spgs, aí em cima algo que parecia destoar de tudo por lá: um restaurante francês todo fofo, mantido por senhoras gracinhas de cabelo vermelho. Não resisti, entrei, conversei e fotografei de tudo um pouco. E o restante do passeio dispensa comentários:





















(...)

Só para constar: aquela máxima de que a polícia rodoviária americana é alienígena e aparece sem mais ou menos nos lugares mais improváveis, para fazer valer a Lei de Murphy, é verdade. No meio do nada resolvemos pisar no acelerador e igualmente do-na-da apareceu um gordinho todo simpático e seu bloquinho semi-novo tirando oitenta e cinco bucks e quatro fucking pontos da carteira. Thelma & Louise te desprezam!



(10 comments) - (Post a new comment)


[info]misteriousvibes
2008-05-21 09:15 am UTC (link)
quando voltar da facul vejo com mais calma. mas JURO que achei que a primeira foto, da bandeira, fosse uma CUECA PENDURADA num varal. aí eu "omg que Kinho é esse?" hahahaha.

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[info]hellololla
2008-05-25 08:54 pm UTC (link)
então que eu ia dizer a MESMA coisa, só que eu vi um AVENTAL ao invés de uma cueca. oh dear, what do THAT say about us? hahaha

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[info]misteriousvibes
2008-05-26 07:06 pm UTC (link)
HAHAHA essa imagem deve despertar algum tipo de padrão inconsciente.

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[info]penalty
2008-05-27 04:03 pm UTC (link)
hahahahaha... vejo sociedade em cadeia internacional de lavanderia going on!

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[info]taismadeira
2008-05-22 03:12 am UTC (link)
Eu acho que você tem cinco caras. Ou mais.

E também acho cachorro isso aí que você falou.

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[info]penalty
2008-05-27 03:44 pm UTC (link)
Acho que cara e uma so; o que muda sao os reflexos de acordo com as pessoas.
E lembrei da Blossom defendendo os gatos em um dos episodios do seriado.

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[info]star_of_ash
2008-05-22 11:46 pm UTC (link)
Quanto foto bonita.
Vai postar no flickr tbm?

Eu sou louca ir aos Estados Unidos, parece ser tão grande e diverso... e isso tudo é férias ou trabalho?

bjs

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[info]penalty
2008-05-27 03:48 pm UTC (link)
pois e, eu tenho um flickr, ne? hahaha. preciso atualizar aquilo la, mas o tempo passa, nao consigo completar a sequencia de fotos da florida e deixo tudo de lado. vamos ver se ponho as coisas nos trilhos quando eu voltar - porque, nao, eu nao estou aqui a trabalho, e meus diazinhos de folga nao duram pra sempre. =/

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[info]hellololla
2008-05-25 08:53 pm UTC (link)
eu amei isso: "The traveler sees what he sees; the tourist sees what he has come to see." eu sempre chego querendo ver alguma coisa, que nunca encontro, e sempre acabo vendo outras. quase nunca me decepciono (talvez por isso mesmo).

neve com sol. drooling hard, here.

e 85 paus?? não conseguirei ser feliz neste país.

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[info]penalty
2008-05-27 04:01 pm UTC (link)
eu acho bastante valido esse papo de ir atras do default (em new orleans por exemplo eu tive que conhecer o mississipi) mas o mais importante e, sempre, se deixar surpreender. para o bem ou para o mal, me atrevo dizer. tipo tua experiencia na sicilia, que eu ainda nao sei nada a respeito, ne, senhorita? no mais, bota sol naquele dia! voltei bronzeadissimo para o brasil (rosto e bracos, basicamente) e ainda tive que aguentar as piadinhas de gente metida a engracadinha, que afirmava ser preciso escalar uma montanha cheia de neve para eu "ganhar uma cor". go figure. :)

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