| what is this game we're playing? ( @ 2008-05-04 03:43:00 |
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| Current music: | "jolene" - dolly parton |
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HEY, BIG OFFENDER!
Como toda boa dona de casa o bom hóspede que sou, resolvi acordar cedo para ordenar a bagunça da noite anterior. Arrumei a cama do casal, organizei as revistas espalhadas pelo chão, abri as janelas para a poeira sair enquanto meus dentes eram escovados... Quando nada mais tinha a fazer, resolvi aceitar o convite do vizinho para jogar um pouco de Mario Kart. O problema é que antes disso precisava comprar umas comidas e uns postais - e por esse mesmo motivo fui até a farmácia. Não sei se você sabe (se não sabe acho bom assistir o último documentário do Michael Moore), mas pelas bandas de lá farmácia e lojinha de conveniência são sinônimos. Porém dessa vez, e somente dessa vez, entrei e saí de mãos abanando. E quando achei que iria voltar no pé oposto ao que fui, eis que um carro azul cruza o meu caminho. Achei estranho porque ele passeava devagar, dando voltas no estacionamento como quem quer chamar a atenção de quem passa. E chamou. Olhei curioso, mas através dos vidros escuros não vi nada. Então ele, ainda muito misterioso, resolveu estacionar em um lugar distante do que eu, ainda andando bem devagar, estava. Segui com os olhares curiosos porque, cá entre nós, não é todo o dia que um carro estranho fica dando voltas ao meu redor. Aí quando eu achei que nada mais iria acontecer, uma mão surge solicitando no ar minha aproximação. E com cara de freira ofendida, porém com uma ligeira safadeza interna, não pude acreditar no que estava acontecendo.
Atravessei todo o estacionamento, cruzei a rua e, ainda intrigado, me pus frente a um ponto de ônibus, olhando de rabo-de-olho o movimento do azulão. O cretino, ainda no estacionamento da farmácia - Walgreens, grande pra cacete -, não pensou duas vezes em sair de lá e estacionar em um supermercado - Kroger, não tão grande, mas simpático - atrás do mesmo ponto de ônibus em que eu estava. Então tá. Dei meia-volta e fui bem depressa em direção ao interior do supermercado para, além de fazer umas comprinhas, deixar o tempo passar e ver se o carro evaporava por si só. No meio do caminho no entanto, o carro continua a me seguir. "Agora ele vai chegar bem pertinho, abrir a porta e exibir a macabra ausência de um motorista, tipo aquele carro assassino preto da 'Sessão da Tarde'", pensei. Só que então, ao invés de um banco vazio, apareceu uma língua. Assim, bem rápida, tipo "quero te chupar todinho". Unattractive white man, dark hair, mid 40s, fazendo linguinha de fucking helicóptero! Genuinamente ofendido permaneci - porque, né?, até Irmã Dulce merece mais que isso.
Entrei no mercado, fiquei por lá uns quinze minutos - comprando besteira, claro, porque não sou de ferro - e quando saí, nem sinal do elemento. Não no estacionamento, porque foi só o tempo d'eu sacolejar minhas sacolinhas que, logo ali na esquina, estava o dito cujo a me esperar. "Acho que o negócio começou a ficar um pouquinho sério demais", pensei de novo. E o pior é que, mesmo com o meu diário e uma máquina fotográfica na mochila (é, eu ando por aí tipo school kid), estava todo atarantado e não lembrei de tomar nota da placa. Acho que ele percebeu que indefeso eu estava e a partir daí foi um zigue-zague só; ele tentando de aproximar, eu tentando despistar o mal elemento. Tô falando sério. Minutos vão, minutos vêm vão mais um pouco e uns quinze desses depois, finalmente, consegui caminhar sem escolta e achei o caminho de casa. Mas não da minha. Bati na porta daquele mesmo vizinho e ao contar apressado a história, baixou nele o espírito de L. B. Jefferies - e lá se foram mais preciosos minutos olhando pela janela, tentando anotar a placa de um o carro azul que pelas ruas do bairro continuava passeando a me procurar. Moral da história? "You're great at creating difficult situations.". Ou então: você só descobre que é gostoso quando ganha de presente um legítimo sex offender americano de meia-idade.
* * *
Não importa o quanto minhas viagens para lá tenham se tornado, digamos assim, rotineiras; Houston é uma cidade que sempre me rende muitas histórias para contar. Algumas no entanto guardo com o carinho zeloso de quem sente falta do cotidiano que, cintilante, tem cara de novidade. E a seguir, cenas dos capítulos anteriores (aka ida a uma festa do peão [haha] tipicamente texana, em março, e o picnic de uma semana atrás):

Mocinhas exibidas.

Cow

Poor thing.

Embaixo.

Em cima - e morrendo de medo.

Antes / Depois

E essa aqui que eu gosto.
(...)
E ainda têm aquelas em que eu conheci as montanhas do Colorado, mas essa é uma outra história, de um outro Estado, de outras cidades, para um outro dia. :)